Isso não vai dar certo « Agile Way


2 de Junho de 2010

Isso não vai dar certo

Quando a gente começa a empreender, existem alguns fatores que precisamos nos agarrar com vontade.

Um deles é o otimismo. Eu não digo o otimismo bobo, aquela utopia que tudo será um perfeito, correto e divertido. Mas o otimismo que alimenta nosso desejo de atingir os objetivos.

Porém, há aqueles que são exatamente o oposto disso. Eles são os empreendedores pessimistas.

Quando você empreende, você dedica o seu bem mais precioso em alguma coisa que você acredita: o seu tempo. Além disso, considere também o lado financeiro, já que sempre há um desembolso financeiro para realizar qualquer projeto.

Se você entra em um projeto, o mínimo que se espera é que você acredite nele.

Afinal de contas, quem iria trabalhar em algo que não acredita, ou que não gosta?

Pois muita gente, muita gente mesmo, está neste momento trabalhando ou empreendendo. E não acredita ou não gosta do que faz.

Não gostar é uma situação até relativamente compreensível. Muitas destas pessoas (e você deve conhecer várias) reclama diariamente do trabalho, mas quando é questionado do por que continua com este suplício, a resposta é sempre “dinheiro”. Algumas pessoas, realmente, tem receio de mudar para não arriscar o seu patamar atual de vida.

Compreensível. Desde que essa situação não se torne uma acomodação. Já pensou trabalhar até atingir a sonhada aposentadoria, em um lugar que você não gosta, apenas por dinheiro? Pense em quantos anos essas pessoas perderiam. Quantas coisas deixariam de fazer.

Porém nada, absolutamente nada, é mais incompreensível do que trabalhar em algo que você não acredita. Eu não consigo admitir que existam pessoas que despendem do seu tempo, da sua motivação e dos seus sonhos, trabalhando em algo que não acreditam.

E elas existem. Aos montes.

Conheço pessoas que empreenderam há muitos anos. Algumas fecharam uma década de empreendimento. E nunca sairam do lugar. O motivo? PESSIMISMO. Falta de FÉ ou CRENÇA naquilo que fazem. E falo de pessoas competentes, tecnicamente.

A expressão da ordem deles é: “isso não vai dar certo”. Eles sempre arranjam motivos para procrastinar decisões ou mudanças bruscas. Sempre encontram desculpas para seus problemas. E, raramente, identificam que o problema maior são eles próprios.

Um exemplo: conheço uma pessoa que trabalha há dez anos em um setor cujo mercado é relativamente interessante. Por dez anos, essa pessoa manteve a empresa do mesmo tamanho, praticamente fazendo um trabalho artesanal. Enquanto isso, dois funcionários que trabalharam com ele, bem no início da jornada, abriram sua própria empresa e cresceram vertiginosamente. Eles arriscaram. Enquanto essa pessoa ficou empurrando decisões com a barriga, dizendo: “isso não vai dar certo”.

Certa vez perguntei a esta pessoa: “O que falta para crescer neste mercado?” e ela me respondeu: “Coragem. Eu não vejo futuro no mercado. E olho para um antigo amigo, dono de uma outra empresa, e vejo que ele está prestes a falir”.

O grande detalhe é: este amigo dele trabalha em OUTRO setor. É como justificar que você não vai abrir sua padaria, porque o Netscape e a Enron quebraram.

Empreendedores pessimistas tendem a enxergar a falha com medo, e não com aprendizado. Ao invés de se espelharem nos vitoriosos, se conformam com os derrotados. Não arriscam no momento mais propício, pois não suportam a incerteza. Se aninham no seu mundo, ao invés de buscar ajuda ou contatos. Não valorizam a experiência e o aprendizado que tiveram, preferindo culpar Deus e todos os demais seres vivos da Terra que conspiraram contra ele.

E, mais do que tudo, empreendedores pessimistas viram estatística do SEBRAE. Pura e simplesmente. São derrotados e então se escondem em algo que os deixem “seguros” (um típico emprego no setor público, talvez?).

Se você acha que se encaixou neste perfil, ainda há tempo de mudar. Eis algumas sugestões para você pôr em prática HOJE mesmo.

1) Inscreva-se em um MBA, PÓS ou algum curso da sua área. O simples fato de você sair da sua realidade e conhecer outras pessoas, já o fará enxergar o mundo com outros olhos.

2) Faça ou reative seus contatos. Assim como o item anterior, conversar com estas pessoas lhe ajudará entender a sua situação.

3) Analise friamente o que o impede de ser otimista. Será que é o mundo que conspira, ou é você que está estagnado? Seja bem crítico. Questões técnicas como “não saber negociar” ou “ter dificuldades de expôr ideias” são perfeitamentes fáceis de se resolver. Busque ajuda.

Se você acha que nem estes simples itens o ajudarão a mudar, então o seu problema é outro. É de ATITUDE. E, sinto lhe informar, neste caso a mudança será muito mais complicada. Talvez você não tenha o perfil de empreendedor. A sugestão, neste caso, é abandone o barco o mais cedo possível. E busque algum emprego no setor público.  De preferência, em uma repartição onde empreendedores otimistas são vistos como revolucionários que merecem ser queimados na fogueira.

Deixe o mercado para aqueles empreendedores que acreditam no seu sonho. E que são otimistas.



5 Comentários para “Isso não vai dar certo”

  1. Zed diz:

    Ainda é o dinheiro que manda.

    Muitas pessoas fazem concursos públicos apenas pelo dinheiro + estabilidade, ou seja, fazer qualquer coisa de qualquer jeito sabendo que o final do mês esta garantido.

    É este pensamento que geram toda a burrocracia do nosso país.

    Exemplos:
    – Aquele assassino e estuprador que foi solto e matou vários jovens.
    – Sistemas da prefeitura de Curitiba que só funcionam em Windows.
    – Seguro desemprego negado por dizerem que um parente meu é aposentado, sendo que o mesmo trabalha a anos. Ainda demora 3 meses para descobrirem que o mesmo não é aposentado.
    – Sistema de Curitiba de recarga de passagem de ônibus que não funciona direito e ainda cobra taxa ilícita.
    – Etc … etc …

    Hoje em dia , como nunca antes, se valorizam os profissionais com garganta e não os interessados. Canso de ver gerentes, que não sabem lidar com a sua equipe, e tocam o terror nos subordinados.

    Muito bonito o seu texto, mas na realidade, ou você entra nesta “dança dos loucos”, ou você monta o seu mundo, e espera ele quebrar.
    Pois não se esqueça que você não escolhe os seus clientes, e muitos deles não conseguem trabalhar com pessoas otimistas, sonhadoras, alias eles estão pouco se lixando, muitos preferem um picareta “realista” do que um honesto sonhador.

    Eu sou um daqueles qual o mundinho já quebrou mas não entendeu ainda (risos).

  2. Flávio!

    Estou contigo!

    Muito boa a sua reflexão sobre o assunto. A esta turma do “Isto não vai dar certo” dei o apelido de “fatalistas” pois acham que o destino já está escrito e que de agora em frente só lhes cabe aturá-lo. Por sua vez, os empreendedores de verdade escrevem (ou morrem tentando escrever) seu destino a fim de que não tenham que apenas aturá-lo!

    Falou e disse! Vamos em frente!

    Um super abraço,

    Arthur Segatto

  3. É bem contraditório a pessoa querer ser empreendedora e pessimista, pois como uma pessoa vai apostar todas as fichas em algo que nem ela mesma acredita? Porém, existem os falsos otimistas, que sempre têm o pensamento positivo, mas diante do primeiro obstáculo, viram pessimistas.

    A idéia é permanecer otimista sempre, mesmo diante de qualquer adversidade, pois mesmo quando a coisa der errado, o pensamento vai ser “não saiu como o esperado, mas pelo menos nós tentamos!”.

    Excelente texto, Flávio! E boa sorte na nova emrpesa.

  4. Junior diz:

    Bacana! Acompanhando o site a partir de agora.
    Parabéns!

  5. Uriel diz:

    Gostei do seu post, consegui entender seu ponto de vista. Portanto, vou contribuir com o meu:

    Graças ao pessimismo estou saindo do Brasil e empreendendo minhas próprias coisas. Inclusive, ao contrário do que você está criticando, eu defendo um pessimismo, desde que ele faça um embate ao otimismo “compulsivo” que as pessoas gostam de criar. Eu sou desses que fala “não vai dar certo” no intuito de me aperfeiçoar. No meu caso, eu penso que o “não vai dar certo” me faz pensar em alternativas, planos B, C ou D, erros e falhas de gestão ou processos. Mas eu também sou desses que reclama que o mundo conspira ao meu redor. E pior do que uma pessoa com câncer ou um deficiente físico, eu possuo patologias associadas ao fantasma depressão (por ser algo invisível ou pouco tátil) , então é muito mais “natural” que eu seja pessimista.. Porém, essas situações de medo me fizeram ser “criativo”, sair do lugar, reparar e descobrir o que eu não gosto. Poucos são os “otimistas” que conhecem o que eles não gostam. Geralmente são pegos de surpresa…

    Cada um tem uma maneira de ver o pessimismo. Uns demonizam, outros o tornam um peso. Até para ser pessimista tem que ser equilibrado. Eu sempre fui atordoado pela “Gestappo do Otimismo” , me “perseguindo” com argumentos de que ou era radical demais ou fracassado demais por sustentar posicionamentos pessimistas. Me reduziam a isso. Parei de ouví-los, concentrei no meu indivíduo e comecei a empreender meu negócio com pessimismo e a cruel realidade de que serei recharçado, pois tudo não daria certo no começo. E não foi diferente.

    Os anos se passaram e agora vou para Noruega trabalhar com gestão – eu, pessimista, rabujento e individualista. Existe muita gente pessimista por aí que vive com estirpe de otimista, acredite. É um comportamento politicamente incorreto, então as pessoas tendem a disfarçá-lo.

    Por último, gostaria de contribuir para uma questão: “Perfil empreendedor”. Eu não acredito nisso. Seria muito reducionista da minha parte acreditar nessa fábula, já vi empreendedores de tudo quanto é maneira. Tem empreendedor com um perfil de ditador, tem empreendor com perfil pessimista, tem empreendedor que já nasce com um império para gerir, tem empreendedor que sobe do zero através de uma luta baseada no otimismo. Enfim, eu acho que reduzir as capacidades humanas – e toda as suas variedades e variações – é reduzir em uma fórmula de bolo, assim como são os best sellers que vendem essas idéias pré-fabricadas de sucesso. Cada contexto com o seu respectivo sucesso.

    Forte abraco!

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