Resenha do Livro “Rework” « Agile Way


3 de Agosto de 2010

Resenha do Livro “Rework”

Existem milhares livros de administração, gestão e empreendedorismo nas livrarias. A maioria promete novas formas de pensamento, melhores práticas e são cheia de exemplos de grandes multinacionais.

Mas são pouquíssimos livros que apresentam os conceitos como resultado de experiências da própria empresa.

E este é o caso do livro “Rework”, do Jason Fried e David Heinemeier Hansson, sócios-fundadores da 37signals, uma das empresas de web mais “cool” do mercado.

O livro não é cheio de obviedades ou teorias malucas que não passam de teorias malucas de fato. É um apanhado das experiências que os autores vivenciaram em sua empresa, desde o início dela até os momentos atuais.

Veja quais são as primeiras frases do livro:

Ignore o mundo real.

“Isto nunca funcionaria no mundo real”. Você escuta essa frase o tempo todo quando fala para as pessoas de uma nova idéia. Este mundo real parece um lugar entediante e depressivo para se viver. Um lugar onde ideias, rupturas e novos conceitos sempre vão para o lixo.

O formato do livro é bem interessante: são capítulos com subcapítulos, cada qual composto por um texto de no máximo duas páginas. Essa divisão torna o livro bem mais agradável de ler, além de facilitar até mesmo a consulta rápida.

Os capítulos foram definidos como forma a repensar a sua empresa (e por isso o nome do livro é “Rework”). Fazem parte do livro: “Takedowns” (quebrando barreiras, numa tradução livre), “Go”, “Progress”, “Productivity”, “Competitors”, “Evolution”, “Promotion”, “Hiring” (contratações), “Damage Control” (tratando os problemas), “Culture”.

Cada um destes capítulos possui diversos subcapítulos com textos cujos títulos já provocam o leitor. São conceitos inspiradores e, para muitos, bastante novos e desafiadores. Veja este texto que inicia o capítulo sobre “Cultura”:

Você não cria a cultura

Culturas instantâneas são artificiais. Elas são um big bang criado a partir de termos de missão, declarações e regras. São óbvias, feias e plastificadas. (…)

Você não cria a cultura. Ela acontece. É por isso que novas companhias não tem uma. Cultura é um subproduto de um comportamento contínuo. Se você encorajar as pessoas a colaborar, então a colaboração fará parte da sua cultura. Se você recompensar a confiança, então a confiança fará parte da sua cultura. (…)

Cultura não é uma mesa de pebolim. Não é uma política. Não nem mesmo um dia de piquenique ou uma festa da empresa. Isto tudo são objetos e eventos, não cultura. E também não é um slogan. Cultura é ação, não palavras.

Então, não se preocupe muito com isto. Não force. Você não consegue instaurar uma cultura. Você precisa dar tempo para que ela se crie.

Este texto sintetiza bem o formato dos demais textos, no livro.

Os autores irão fazê-lo repensar a sua forma de trabalho. Eles não dão uma receita de bolo, mas abrem novos horizontes para você repensar sua empresa. Quem tem conhecimentos dos métodos ágeis, encontrará muitas semelhanças nas palavras deles, com os conceitos ágeis. Mas não se enganem: em nenhum momento eles citam qualquer metodologia, seja ágil ou não.

Mesmo que você se considere um empreendedor que é totalmente adepto à nova realidade, leia o livro.

Mas lembre-se: ler apenas não adianta. Considere de fato dar um “rework” no seu trabalho 😉

Principalmente se sua empresa for pequena.



4 Comentários para “Resenha do Livro “Rework””

  1. Muito legal Flávio. O pessoal da 37 Signals realmente são os caras… Eu e o Junião da Bluesoft fizemos uma apresentação sobre o livro há alguns meses atrás: http://www.vimeo.com/11661509

    Fale muito a pena também ouvir os podcasts deles: http://37signals.com/podcast

  2. Flavio Steffens de Castro diz:

    Muito legal essa iniciativa, André! Eu pensei em fazer algo até como forma de fixar os ensinamentos (que são muitos!).

    Abração

  3. […] This post was mentioned on Twitter by Cristóferson Bueno, Cristiano Madeira. Cristiano Madeira said: RT @cbueno: Resenha do Livro “Rework”: http://j.mp/9dEh0U – Sempre sai coisa boa da 37signals, o livro deve ser bom. […]

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